Trabalhadores ou escravos??? A controversa vinda de médicos
estrangeiros, especialmente os de Cuba, para o programa 'Mais Médicos',
do governo federal, divide opiniões: de um lado, contratados para suprir
áreas remotas do país, onde os daqui não se inscreveram, sendo tachados
de heróis da pátria; do outro, simples mercadorias exportadas por
Havana.
| programa mais médicos |
No começo, essa primeira leva ficará concentrada em alojamentos
militares de oito capitais: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto
Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. De 26 de agosto a
13 de setembro, receberá aulas de avaliação sobre saúde pública e de
língua portuguesa e participará de simulações de atendimento. Somente a
partir da semana após o término desse treinamento de 120 horas, é que
será encaminhada a postos de saúde em algum dos 701 municípios excluídos
durante as inscrições para o programa. Os custos iniciais com
hospedagem e alimentação ficarão por conta da União. Depois disso, por
conta das prefeituras participantes. O total de municípios que aderiram
ao programa é de 3.511.
Dessas 701 cidades não selecionadas pelos candidatos brasileiros. 121
delas estariam no Piauí, 108 na Bahia e 90 no Maranhão, por exemplo.
“No primeiro mês de seleção, 1.096 profissionais com diplomas do
Brasil e 244 formados no exterior – sendo 99 de nacionalidade brasileira
e 145 estrangeiros – confirmaram sua participação no Mais Médicos. Eles
estão distribuídos em 516 municípios e 15 distritos sanitários
indígenas (...)”, informou o Ministério da Saúde.
O salário é de R$ 10 mil mensais. As negociações com Havana foram feitas
por intermédio da Opas, encarregada de repassar o dinheiro pago pelo
governo brasileiro ao da ilha, para então fazer o pagamento aos médicos
cubanos. Entretanto, não se sabe com clareza como foi firmado esse
acordo nesse triângulo amoroso, tampouco o valor que cada prestador de
serviço realmente receberá.
Os profissionais que participam do programa Mais Médicos não terão de
fazer o Exame Nacional de Revalidação de Diploma de Médicos (Revalida) –
do Ministério da Educação (MEC) –, para quem cursou Medicina no
exterior, que é uma exigência do Conselho Federal de Medicina (CFM) para
poder atuar no país.
Trabalhadores
Para muitos brasileiros que não podem pagar uma consulta num hospital
particular, a entrada de novos médicos – não importa a nacionalidade –
pode ser um alívio para quem mofa nas filas por um atendimento. A atual
realidade da saúde brasileira é deplorável: marca-se uma consulta
sabe-se lá para daqui a quantos meses depois, por falta de profissionais
ou talvez por excesso de pacientes. Fica a dúvida. Ou como o CFM
afirmou, recentemente, os 'médicos cubanos que participam de missões
estrangeiras vivem sem direito a liberdades individuais, em regime
análogo ao de semiescravidão'.
Escravos
O simples fato de médicos cubanos não poderem desfrutar da totalidade de
seus salários (R$ 10 mil) coloca em xeque a situação pela qual
estariam, supostamente, sendo expostos. As primeiras estimativas
apontadas pela imprensa é de que eles ficariam com algo em torno de 25 a
40 por cento, isto é, entre R$ 2,5 mil a R$ 4 mil, respectivamente, e
que o restante ficaria com as autoridades caribenhas. Mas, há quem
afirme que eles receberiam entre 40 a 50 por cento, ou seja R$ 4 mil a
R$ 5 mil, respectivamente. No fundo, ninguém sabe ao certo. Também há
quem diga que o Brasil teria trocado os 'navios negreiros' do século XIX
pelos 'aviões negreiros' do século XXI, tendo em vista que Cuba estaria
exportando médicos como se fossem produtos, ainda mais pela elevada
quantidade.
Conforme declarou a dissidente cubana Yoani Sánchez, em fevereiro
último, durante sua visita ao Brasil, Cuba não seria uma nação
comunista, mas um 'capitalismo de Estado', noticiou a revista 'Veja'.
Na Venezuela, por exemplo, o pagamento pela terceirização do serviço era
feito em uma espécie de escambo: com petróleo, algo em torno de 100 mil
barris diários. Já o Brasil repassará até fevereiro do ano que vem a
Cuba, via Opas, R$ 511 milhões.
O que os olhos não veem, o coração não sente
A contratação de médicos estrangeiros pode ser vista por várias
vertentes: a primeira delas, reafirmar o que já se suspeitava: que o
governo brasileiro estava terminantemente decidido a contratar
preferencialmente cubanos. Após as primeiras críticas em torno disso,
anunciou-se que buscaria profissionais portugueses e espanhóis. Mas,
depois de tanto lenga-lenga e enrolação – no sentido que o leitor achar
mais apropriado –, o resultado que todos já sabem.
Por trás dessa terceirização de mão de obra, regime de suposta
escravidão, ou sabe-se lá que nome dar a isso, está embutido o
patrocínio ao regime comunista dos irmãos Castro. A ilha centroamericana
é 'famosa' por dispor de excelentes serviços de saúde à população como o
Médico de Família, e que tudo seria gratuito. Tal referência a
possibilita hoje exportá-los a dezenas de países. Havana teria 75 mil
profissionais dos mais diversos setores de saúde, sendo que uns 20 mil
atuariam no exterior, segundo o portal 'BBC Brasil'.
Mas, será que se pode acreditar completamente nessa fama toda,
levando-se em conta que o país vive uma espécie de ditadura cuja família
se mantém há pelo menos 50 anos ininterruptos no poder, onde as poucas
informações divulgadas passam por filtros. Diga-se, por exemplo, o
estado de saúde do falecido mandatário venezuelano, Hugo Chávez, que
recorreu aos tratamentos socialistas. O que se sabia de fato???
“(...) Hoje, quando um cubano vai a um hospital, leva um presente
para o médico. É um acordo informal para que o atendam bem e rápido.
Levam também desinfetante, agulha, algodão, linha para as suturas. O
governo usa a existência de um sistema gratuito de saúde e educação para
emudecer os críticos, silenciar a população”, disse a ativista cubana Yoani Sánchez à supracitada revista paulistana.
A exportação de profissionais de saúde pela ilha centroamericana é o
melhor tratamento médico de sua própria imagem ante o mundo, até mesmo
ante o gigante sulamericano – que é a sétima maior economia do mundo –,
mesmo diante de suas limitações técnicas e financeiras decorrentes do
embargo comercial estadunidense.
Dados de 2013 da Organização Mundial mostram que a taxa de mortalidade
infantil (para crianças até 5 anos) em Cuba, com base entre 1990 e 2011,
seria de apenas seis para cada mil nascidos. É a menor entre as
Américas junto com o Canadá, enquanto que nos Estados Unidos, oito; no
Chile, nove; e no Brasil, 16, por exemplo. Nesses 701 municípios
brasileiros esquecidos, chega a 26 para cada mil, maior do que a média
nacional, salientou o Ministério da Saúde.
Ainda nas Américas, com base em 2011, Cuba liderava o ranking no
tratamento de retrovirais à população com infecções avançadas pelo vírus
HIV.
Contudo, duas perguntas que não querem calar: como se aprende português
em três semanas mesmo tendo participado de missões em países de mesma
língua??? Que magnífico curso intensivo é esse??? Muitos brasileiros
passam até 12 anos na escola pública – Ensino Fundamental e Médio – e
sequer conseguem aprender bem o seu idioma nativo!!!
Não há dúvida de que essa contratação 'gringa' é uma tentativa de
resposta à onda de protestos que tomou conta do país nos últimos meses,
dessa forma melhorando a impressão à gestão da presidenta Dilma
Rousseff. Só falta saber se o simples fato de se ter mais médicos
conseguirá minimizar bastante o caos da saúde brasileira que vai muito
além disso. A começar por certos hospitais e/ou postos de saúde sem
medicamentos e sem leitos, por exemplo. A contratação deles é uma faca
de dois gumes: se o programa tiver êxito, poderia lhe proporcionar bons
resultados nas urnas por aqueles usuários mais satisfeitos com o Sistema
Único de Saúde (SUS), principalmente no nordeste, região que está sendo
priorizada nessa primeira fase. Porém, é certo afirmar que poderá
perder votos da classe médica brasileira.
Os médicos cubanos já chegaram ao Brasil com um discurso na ponta da
língua: de que estariam vindo para trabalhar por 'amor' à profissão. No
entanto, só amor não paga as contas no fim do mês!!! Assim como em
qualquer outro ramo de atividade, o profissional deseja progredir na
vida, ganhar bem, e isso não se excetuaria a médicos, principalmente
quando se gastou anos e mais anos de estudos e investimentos
financeiros.
Por que médicos europeus não quiseram vir para o Brasil??? Será que R$
10 mil por mês é pouco??? Que alternativas tinha o governo federal???
Porque 701 cidades foram sequer selecionadas pelos candidatos
brasileiros??? São mais perguntas que precisam ser respondidas. Nesse
embate entre o governo e os profissionais brasileiros, quem não pode
ficar abandonado é o povo!!!
Por que os profissionais do Mais Médicos estariam isentos de fazer o
Revalida??? Será que isso não seria uma questão de segurança aos
pacientes??? Tais beneficiados ficam impedidos de atuar em outras
atividades fora do programa.
Essa divergência entre as entidades médicas brasileiras e o governo
federal está servindo para demonizar os profissionais daqui, tachá-los
de corporativistas, como se não quisessem trabalhar. Ainda mais quando
se vê na mídia casos de certos médicos batendo o ponto e indo embora sem
prestar o serviço.
Vale lembrar que, em 2009, quando teve um câncer linfático, Dilma
Rousseff não foi até Cuba se tratar, mas a um dos melhores hospitais do
país, o Sírio-Libanês. E assim o fez outras personalidades políticas
como o ex-presidente Lula, em outubro de 2011, e o ex-presidente
paraguaio Fernando Lugo, em 2010, para o tratamento da mesma doença.
Médicos desistem de fazer greve
Médicos pernambucanos desistiram de entrar em greve, durante assembleia
realizada na noite da última segunda-feira (26), na Associação Médica de
Pernambuco (Ampe). A categoria pretendia interromper as funções como
forma de protesto contra o programa do Ministério da Saúde, mas acabou
desistindo, ao alegar que seria um 'desserviço à população' e porque
este não seria um momento apropriado. Sem dúvida, serviria para
justificar a contratação de profissionais estrangeiros.
Os conselhos regionais de Medicina em cada um dos estados ingressariam
com ações judiciais, para que não fossem obrigados a registrar os
profissionais que estão no programa Mais Médicos sem que tenham feito o
Revalida e sem a certificação de proficiência da língua portuguesa. Não
se sabe a que pé anda isso.
Jornalista compara médicas cubanas a domésticas
Os profissionais caribenhos nem começaram a trabalhar e já foram alvo de
uma polêmica: a jornalista Micheline Borges, do Rio Grande do Norte,
teria postado em seu perfil no Facebook que as médicas cubanas teriam
cara de empregadas domésticas.
“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas têm uma
Cara de empregada doméstica. Será que São médicas Mesmo? Afe que
terrível. Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõe a
partir da aparência... Coitada da nossa população. Será que eles
entendem de dengue? Febre amarela? Deus proteja O nosso povo!”, disse.
Como seria a cara de uma empregada doméstica??? Comentário, no mínimo,
preconceituoso tanto contra os estrangeiros quanto às domésticas. A
postagem teve milhares de compartilhamentos, até que o perfil foi
excluído pela jornalista, de acordo com o site 'G1'.

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