“(...) pago o que for para que ele [Woody Allen] venha filmar aqui. O Reage Artista vai me matar quando eu der os milhões que o Woody pedir. Mas eu pago 100% da produção”, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em entrevista ao jornal 'O Globo',
no último domingo (18/8), sem mencionar a cifra. Em tempo de protestos e
indignação contra a política e de greve dos professores da rede pública
municipal, o que deveria ser música para os ouvidos chega a ser uma
afronta aos cariocas. Primeiro, porque a massa populacional não está nem
um pouco interessada se esse cineasta estadunidense ou qualquer outro
virá ou não gravar na cidade – nada contra seus preciosos filmes –,
ainda mais se tiver que usar dinheiro público para financiá-lo. Segundo,
porque as prioridades do líder executivo divergem das do interesse
público, como a educação, por exemplo; e terceiro, porque antes de
exibir uma 'Cidade Maravilhosa' para os gringos, deveria fazê-lo para os
cariocas. Se tem grana sobrando, deveria pensar em conceder um aumento
de salário decente aos educadores. Eles recebem entre R$ 890 a R$ 1.112,
aproximadamente, e reivindicam um reajuste percentual de uns 20 por
cento. A categoria está em greve desde o último dia 8 de agosto, de
acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
(Sepe/RJ).
“No primeiro semestre de 2013, o mínimo constitucional que deveria
ter sido investido em educação era de R$ 2.515.318.353,86 bilhões, e a
prefeitura só investiu R$ 1.806.490.628,82 bilhão. Diferença: R$
708.827.725,04 milhões”, destacou o Sepe/RJ.
A entidade sindical rechaçou, recentemente, duas declarações de Eduardo
Paes: uma que poderia contar o ponto dos que aderiram ao movimento; a
outra de que por ter dinheiro, não matricularia um filho numa escola
pública, durante entrevista à 'Rádio Band News'. Esta segunda foi
publicamente interpretada pelo Sepe/RJ de que o colégio público
municipal se destinaria apenas à parte menos favorecida da população.
Contudo, para bom entendedor, um 'pingo e letra', e esta declaração
poderia ser subentendida como um autorreconhecimento, de sua condição de
gestor, de que a educação pública deixa muito a desejar, especialmente
pela qualidade do ensino. Não é muito difícil encontrar por aí alunos da
terceira ou quarta série primárias que mal sabem fazer uma redação ou
ler, tampouco interpretá-la. Mas, pelo menos nisso ele foi honesto,
porque qualquer pai ou mãe que dispusesse de dinheiro suficiente,
colocaria um filho numa escola particular. Se ele tivesse dito o
contrário, teria sido pura demagogia!!!
Se por um lado, o órgão alega não ter recursos sobrando para pagar o que
os docentes exigem, por outro parece ser muito compreensível, pra não
dizer generoso: supostamente, não pretende cobrar o prejuízo que o
empresário Eike Batista, do grupo EBX, provocou ao demolir o Teatro
Glória, para a reforma do Hotel Glória, no bairro de mesmo nome. “Não
tenho como puxar a orelha dele, né? Ele está quebrado... Para mim, essa
história do Eike micou. Ele não vai fazer outro Teatro Glória, não”,
disse. Utilizando-se de um linguajar chulo: é muito fácil 'gozar' com o
dos outros, principalmente, quando não saiu do bolso dele!!! Fica aqui
uma pergunta: para quem Eduardo Paes governa???

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