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O prefeito de si mesmo

Written By Antonio on sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 | 11:51

Prefeitura do Rio diz que não tem dinheiro para pagar um aumento de salário decente aos professores da rede municipal, mas tem para custear até 100 por cento da produção do cineasta Woody Allen.
“(...) pago o que for para que ele [Woody Allen] venha filmar aqui. O Reage Artista vai me matar quando eu der os milhões que o Woody pedir. Mas eu pago 100% da produção”, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em entrevista ao jornal 'O Globo', no último domingo (18/8), sem mencionar a cifra. Em tempo de protestos e indignação contra a política e de greve dos professores da rede pública municipal, o que deveria ser música para os ouvidos chega a ser uma afronta aos cariocas. Primeiro, porque a massa populacional não está nem um pouco interessada se esse cineasta estadunidense ou qualquer outro virá ou não gravar na cidade – nada contra seus preciosos filmes –, ainda mais se tiver que usar dinheiro público para financiá-lo. Segundo, porque as prioridades do líder executivo divergem das do interesse público, como a educação, por exemplo; e terceiro, porque antes de exibir uma 'Cidade Maravilhosa' para os gringos, deveria fazê-lo para os cariocas. Se tem grana sobrando, deveria pensar em conceder um aumento de salário decente aos educadores. Eles recebem entre R$ 890 a R$ 1.112, aproximadamente, e reivindicam um reajuste percentual de uns 20 por cento. A categoria está em greve desde o último dia 8 de agosto, de acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ (Sepe/RJ).
“No primeiro semestre de 2013, o mínimo constitucional que deveria ter sido investido em educação era de R$ 2.515.318.353,86 bilhões, e a prefeitura só investiu R$ 1.806.490.628,82 bilhão. Diferença: R$ 708.827.725,04 milhões”, destacou o Sepe/RJ.
A entidade sindical rechaçou, recentemente, duas declarações de Eduardo Paes: uma que poderia contar o ponto dos que aderiram ao movimento; a outra de que por ter dinheiro, não matricularia um filho numa escola pública, durante entrevista à 'Rádio Band News'. Esta segunda foi publicamente interpretada pelo Sepe/RJ de que o colégio público municipal se destinaria apenas à parte menos favorecida da população. Contudo, para bom entendedor, um 'pingo e letra', e esta declaração poderia ser subentendida como um autorreconhecimento, de sua condição de gestor, de que a educação pública deixa muito a desejar, especialmente pela qualidade do ensino. Não é muito difícil encontrar por aí alunos da terceira ou quarta série primárias que mal sabem fazer uma redação ou ler, tampouco interpretá-la. Mas, pelo menos nisso ele foi honesto, porque qualquer pai ou mãe que dispusesse de dinheiro suficiente, colocaria um filho numa escola particular. Se ele tivesse dito o contrário, teria sido pura demagogia!!!
Se por um lado, o órgão alega não ter recursos sobrando para pagar o que os docentes exigem, por outro parece ser muito compreensível, pra não dizer generoso: supostamente, não pretende cobrar o prejuízo que o empresário Eike Batista, do grupo EBX, provocou ao demolir o Teatro Glória, para a reforma do Hotel Glória, no bairro de mesmo nome. “Não tenho como puxar a orelha dele, né? Ele está quebrado... Para mim, essa história do Eike micou. Ele não vai fazer outro Teatro Glória, não”, disse. Utilizando-se de um linguajar chulo: é muito fácil 'gozar' com o dos outros, principalmente, quando não saiu do bolso dele!!! Fica aqui uma pergunta: para quem Eduardo Paes governa???

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